No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, somos convidados a refletir sobre a urgência de garantir acesso universal ao saneamento básico. Em 2024, dados do relatório Progress on Drinking Water, Sanitation and Hygiene, publicado pela OMS e UNICEF, mostram que 2,2 bilhões de pessoas ainda não contam com abastecimento seguro de água potável. No Brasil, embora avanços tenham ocorrido, o cenário continua preocupante: mais de 33 milhões de brasileiros vivem sem água tratada e quase 100 milhões não dispõem de coleta de esgoto, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2022).
A universalização do saneamento não é apenas uma meta de desenvolvimento social, mas também uma estratégia crucial para a resiliência climática. A crise hídrica, intensificada pelas mudanças climáticas, desafia a gestão de recursos e exige uma transformação profunda na forma como planejamos e operamos serviços de saneamento. Nesse contexto, a inovação tecnológica e a digitalização do setor são instrumentos fundamentais para acelerar soluções que garantam eficiência, transparência e sustentabilidade.
As ferramentas digitais oferecem um novo horizonte para a gestão hídrica. Plataformas de análise multicritério, como o Enterprise Decision Analytics (EDA), criado pela Arcadis, parceira em projetos de infraestrutura hídrica no Brasil, já permitem priorizar investimentos de forma mais assertiva e racional, considerando os impactos técnicos, econômicos e sociais. Esse tipo de tecnologia estrutura grandes volumes de dados e torna as decisões mais ágeis e seguras, aumentando a previsibilidade dos projetos e otimizando o uso dos recursos.
Além disso, o uso de inteligência digital no planejamento e monitoramento dos investimentos em saneamento possibilita identificar gargalos com rapidez e corrigir desvios antes que eles comprometam o acesso ao serviço. É uma abordagem que combina dados e estratégias para avançar a universalização, fortalecer a segurança hídrica e melhorar a qualidade de vida da população, especialmente em comunidades vulneráveis.
A transformação digital no saneamento não é uma escolha de futuro; é uma necessidade do presente. E se quisermos alcançar a meta de universalização até 2033, prevista no novo marco legal do saneamento básico no Brasil, precisamos impulsionar a adoção de soluções inovadoras, com responsabilidade e visão de longo prazo.
No Dia Mundial da Água, renovamos o compromisso de construir um amanhã mais justo e sustentável, onde água potável e saneamento de qualidade sejam uma realidade para todos.
